Vinte pessoas foram presas nesta sexta-feira (29) suspeitas de lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV) em seis estados do país. As prisões ocorreram no âmbito da Operação Contenção, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e foram realizadas também em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado R$ 453 milhões em quatro anos por meio de empresas de reciclagem, ferros-velhos e contas usadas para ocultar recursos do tráfico. A operação foi realizada um dia depois do governo dos Estados Unidos anunciar que as facções criminosas CV e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão classificadas como organizações terroristas.
Um dos principais alvos da operação é Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, apontado pela polícia como um dos chefões do CV e responsável por coordenar parte das operações financeiras da organização criminosa. O traficante segue foragido, mas a mulher dele, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante a operação.
O esquema, segundo apurações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap), tinha como base o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, e utilizava empresas de fachada para movimentar dinheiro do tráfico. A investigação aponta que Rabicó mantinha uma rede empresarial usada para ocultar patrimônio e movimentar valores obtidos com atividades criminosas.
A DRE afirma ter interceptado conversas entre Rabicó e o chamado “gestor financeiro” do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, o traficante determinava pagamentos de despesas pessoais e transferências usadas para compra de drogas e armas de fogo.
As investigações também identificaram o uso de contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em dinheiro vivo e emissão de notas fiscais falsas para tentar dar aparência legal aos recursos obtidos com o tráfico.
A investigação aponta que empresas ligadas ao setor de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais para contas ligadas a Rabicó e a empresas associadas ao grupo criminoso.
A polícia ainda apura indícios de receptação qualificada e compra de materiais de origem suspeita. Durante o monitoramento, agentes acompanharam áreas usadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil, os valores movimentados pelo esquema foram identificados por meio de relatórios de inteligência financeira, análises bancárias, quebras de sigilos fiscal, telefônico e telemático e cruzamento de dados patrimoniais.




