O governo do presidente Lula (PT) anunciou nesta sexta-feira (29) que doou 16 toneladas de arroz e cinco toneladas de leite em pó integral à Bolívia, que enfrenta uma crise econômica e política que tem causado escassez de alimentos, combustível e medicamentos.
Os alimentos foram transportados por um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que saiu da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, e deve chegar nesta tarde a La Paz –sede do governo e uma das cidades bolivianas afetadas pelo desabastecimento.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a doação não compromete o abastecimento do Brasil.
O envio atende a um pedido feito pelo governo de Rodrigo Paz, que conversou por telefone na segunda (25) com Lula. Na ocasião, o petista confirmou que iria prestar apoio humanitário ao país vizinho, mas não fez menção específica ao envio do avião. A confirmação sobre a aeronave se deu na terça (26).
Desde a posse de Paz, Lula tem feito manifestações amigáveis a seu homólogo, cujo posicionamento de centro-direita se distancia ideologicamente do brasileiro. Eleito no final do ano passado, Paz encerrou um período de 20 anos de governos de esquerda na Bolívia.
A princípio só há informações sobre o envio de alimentos por parte do Brasil. Em outros momentos, como diante da crise vivida na Venezuela, por exemplo, o Ministério da Saúde também participou da operação com envio de remédios. Esse suporte não está previsto no caso da Bolívia até o momento.
A operação desta sexta foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, ligada ao Itamaraty, em conjunto com os ministérios do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento Agrário, da Defesa, da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública.
A aeronave da FAB deve ficar em território boliviano por alguns dias, servindo de auxílio no transporte de outros insumos, fornecidos pelo país vizinho.
Esse transporte deve se dar, principalmente, entre La Paz e Santa Cruz de la Sierra, cidade populosa a cerca de 800 km da capital.
ENTENDA A CRISE BOLIVIANA
Ao longo do último mês, categorias como as de mineradores e agricultores estão indo às ruas pedir medidas contra o aumento do custo de vida no país e a renúncia de Rodrigo Paz.
O cenário no país sul-americano tem afetado mercados, hospitais e postos de gasolina.
Dezenas de rodovias que levam a La Paz, a sede do governo, estão bloqueadas por manifestantes, o que agrava os efeitos da inflação, que atingiu 14% em abril, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os atos pressionam o governo a reverter as medidas de austeridade fiscal e enfrentar o aumento do custo de vida no país.
Na segunda, o presidente boliviano que cortará pela metade seu salário e o de seus ministros.
Paz, que assumiu o cargo em novembro e herdou uma economia em sua maior crise em quatro décadas, defendeu os cortes de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como medidas necessárias para estabilizar as finanças públicas.



