Em conversa com o médico Roberto Kalil Filho no CNN Sinais Vitais, que vai ao ar neste sábado (30), às 19h30, os especialistas Marcelo Sampaio, cirurgião plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a cirurgiã plástica Luciana Pepino alertam para os riscos de uma relação desequilibrada com a própria imagem.
Em debate sobre os limites da medicina estética, os profissionais abordaram os sinais de alerta que indicam quando a busca por mudanças na aparência deixa de ser saudável e passa a ter um caráter patológico e destacam a responsabilidade do profissional de saúde em identificar — e recusar — procedimentos que possam causar dano ao paciente.
O papel do profissional em dizer “não”
Para Luciana, a responsabilidade médica é central nesse debate.
“Aí entra a responsabilidade médica, né? De um bom cirurgião plástico, um bom profissional que vai colocar limite até onde aquele procedimento pode ser realizado ou deve ser realizado. Ou se não deve ser realizado”, afirmou.
Segundo ela, o bom profissional deve ser capaz de negar um procedimento quando necessário.
Luciana destacou ainda que, quando a felicidade de uma pessoa passa a depender exclusivamente de aspectos estéticos, isso pode indicar algo mais grave.
“Ah, eu não consigo ser feliz porque eu sorrio e formo uma ruga”, exemplificou, ilustrando situações em que o paciente começa a demonstrar sinais de uma condição patológica.
Nesses casos, segundo ela, a pessoa tende a realizar cada vez mais procedimentos e a perder a noção do que seria natural ou normal, sempre buscando “um pouco além”.
A dismorfia corporal e a busca por resultados inalcançáveis
Marcelo abordou especificamente a dismorfia corporal, condição em que o indivíduo não aceita sua própria aparência e se enxerga de forma distorcida.
“Ela não se aceita com a forma que ela tem. Então, às vezes, se enxerga diferente no espelho, ou quer se ver de uma forma diferente e busca resultados que são absolutamente inalcançáveis”, explicou.
A condição afeta tanto a estética facial quanto a corporal.
De acordo com Marcelo, um sinal comum desse quadro é o histórico de múltiplas intervenções sem satisfação.
“Às vezes é um paciente que já realizou inúmeras intervenções e eternamente insatisfeita. E sempre falando que o profissional que atendeu anteriormente não foi eficiente”, relatou.
O impacto das redes sociais e dos filtros digitais
Os especialistas também apontaram as redes sociais como um fator que agrava esse cenário.
Luciana descreveu o fenômeno como uma “ansiedade estética das redes sociais”, alimentada pela comparação constante e por uma certa padronização de beleza.
“A grama do vizinho é sempre mais verde. E quando você usa filtro, ela fica mais verde ainda”, disse.
Marcelo reforçou que pacientes chegam aos consultórios trazendo referências das redes sociais e de filtros digitais que distorcem completamente a aparência real das pessoas.
“Você vai para uma rede social, às vezes você se surpreende, você vê aquela foto que a pessoa postou no Instagram… que não é a pessoa”, comentou.
Segundo ele, os filtros criam imagens com pele alterada, nariz menor e contorno de mandíbula diferente — características que simplesmente não correspondem à realidade do paciente.



